Deter o golpe de Estado de Trump! Mobilizar a classe trabalhadora contra o autoritarismo e a ditadura!

28 Julho 2020

Publicado originalmente em 27 de julho de 2020

O inconstitucional envio de forças paramilitares a cidades de todo o país pelo governo Trump representa uma declaração de guerra contra a população. Violando abertamente a Carta dos Direitos e ameaçando derrubar a Constituição, os conspiradores na Casa Branca estão tentando promover um golpe de Estado. Violando seu juramento de "cumprir fielmente o posto de Presidente dos Estados Unidos", Trump está conspirando para encarcerar e executar seus oponentes políticos.

Ao longo das últimas duas semanas, agentes federais do Departamento de Segurança Nacional (DHS) foram destacados para as ruas de Portland, Oregon. A Casa Branca mobilizou tais forças passando por cima de objeções dos governos estaduais e municipais, utilizando-as para promover uma campanha de repressão cada vez mais violenta direcionada aos contínuos protestos contra a violência policial.

Agentes não identificados em trajes militares capturaram manifestantes desarmados e os jogaram para dentro de carros não identificados para levá-los a locais desconhecidos sem motivos plausíveis. Equipes da SWAT portando fuzis de assalto avançaram contra manifestantes pacíficos, espancando-os com cassetetes e atirando bombas de gás lacrimogêneo e efeito moral. Um manifestante foi alvejado com um tiro de bala de borracha na cabeça e teve o crânio fraturado.

As tropas de choque de Trump foram destacadas do aparelho repressivo constituído para a perseguição de trabalhadores imigrantes e para a guerra. Isso inclui agentes do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE) e do Departamento de Alfândegas e Proteção Fronteiriça (CBP), cada um deles liderado por um diretor "interino" não aprovado pelo Senado e que, portanto, presta contas somente ao presidente. É particularmente nefasto o papel central desempenhado pela equipe da SWAT interna ao CBP conhecida como BORTAC, uma organização brutal e com experiência no campo de batalha, que esteve envolvida nas principais operações militares externas dos EUA, incluindo as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Na semana passada, Trump declarou que outras cidades também serão submetidas à intervenção federal, incluindo Nova Iorque, Chicago, Cleveland, Milwaukee, Filadélfia, Detroit, Baltimore, Oakland e Albuquerque.

Em uma entrevista coletiva em 22 de julho, Trump denunciou o que ele chama de movimento de "extrema-esquerda" e "radical", "para acabar com as verbas, desmantelar e dissolver nossos departamentos policiais", e vilificar "nossos heróis da lei".

O pretexto para a mobilização feita por Trump são os protestos que varreram o país após o assassinato de George Floyd pela polícia em Minneapolis, Minnesota, em 25 de maio. Entretanto, o que impulsiona as ações de Trump são preocupações mais abrangentes.

Os Estados Unidos são um barril de pólvora social e político. A pandemia expôs o estado disfuncional da sociedade americana e de suas instituições políticas. A subordinação absoluta de todas as necessidades sociais à incansável busca de lucros e riqueza pela oligarquia capitalista criou as condições para a catástrofe que agora se desenrola.

Mais de 150.000 pessoas nos Estados Unidos morreram de COVID-19, com mais de 1.100 pessoas sendo somadas a esse terrível índice todos os dias. Na quinta-feira, os EUA superaram o marco de quatro milhões de casos de coronavírus, apenas 14 dias depois de terem ultrapassado os três milhões de casos. Hospitais estão superlotados no Texas, Flórida, Califórnia, Arizona e outros estados.

Mas mesmo com o vírus se espalhando e o número de mortes crescendo, o governo Trump insiste que os trabalhadores permaneçam ou retornem a seus empregos e que as escolas reabram, independentemente das consequências a professores e seus alunos.

A fim de elevar a pressão econômica sobre os trabalhadores ao máximo, o limitado auxílio social aprovado em março através da Lei CARES está prestes a sofrer uma extrema redução ou ser completamente abolido. Na semana passada, o Congresso deixou passar o prazo de aprovação de uma extensão do auxílio federal ao desemprego. Mesmo com o aumento drástico na semana passada dos pedidos de seguro desemprego, que já chegam a 1,4 milhões, uma moratória federal das ordens de despejos expirou, colocando milhões em risco de serem expulsos de suas casas.

Em questão de semanas, milhões de famílias da classe trabalhadora estarão ameaçadas de serem lançadas na miséria, perder o teto e passar fome. O governo Trump prevê uma explosão dos protestos sociais e está preparando uma repressão maciça.

Ao mesmo tempo, os EUA estão envolvidos em uma série de ameaças provocatórias contra a China, empurrando o mundo à beira de uma guerra mundial. Na quinta-feira, o Secretário de Estado Mike Pompeo fez um discurso belicoso contra a China ao mesmo tempo em que agentes americanos invadiam o consulado chinês em Houston depois do governo Trump ter tomado a decisão sem precedentes de ordenar o seu fechamento. Antes de Pompeo iniciar seu discurso, dois porta-aviões e esquadrões de ataque americanos foram ordenados a realizar jogos de guerra de "alta tecnologia" junto a navios australianos e japoneses no Mar do Sul da China.

O destacamento da polícia federal é uma continuação dos esforços de Trump para estabelecer uma ditadura presidencial, anunciada há oito semanas em seu discurso nacional de 1º de junho no Jardim das Rosas da Casa Branca. Enquanto a polícia federal promovia um ataque violento contra manifestantes pacíficos do lado de fora da Casa Branca, Trump declarava ser o presidente da "lei e ordem". Ele ameaçou invocar a Lei de Insurreição de 1807 e destacar tropas militares da ativa contra manifestantes por todo o país, classificando aqueles que protestavam contra a violência policial como "terroristas domésticos".

A tentativa inicial de golpe de Estado de Trump encontrou resistência entre os militares, inclusive do ex-secretário de defesa de Trump, o General James Mattis, pois eles acreditavam que uma ação tão drástica não havia sido adequadamente preparada. Mas seria ingênuo e perigoso crer que os militares serão defensores da democracia. As últimas ações da Casa Branca foram, sem dúvidas, tomadas após uma consulta aos generais, que disseram a Trump que ele tinha outras forças ao seu comando e que deveria usá-las antes de convocar os militares. As forças paramilitares da BORTAC e da ICE serão acrescidas de outras.

O velho ditado "isso não pode acontecer aqui" – que uma ditadura nos Estados Unidos jamais poderia ocorrer – está sendo refutado. Não só pode acontecer, como está acontecendo.

Em uma coluna publicada na sexta-feira, Roger Cohen do New York Times comparou os acontecimentos nos Estados Unidos com a situação na Alemanha nas vésperas da conquista do poder pelos nazistas. Em seu artigo de 24 de julho, "A Catástrofe Americana sob um Olhar Alemão", Cohen cita o comentário de Michael Steinberg, professor de história na Universidade Brown e ex-presidente da Academia Americana em Berlim:

A catástrofe americana parece piorar a cada dia, mas os acontecimentos em Portland me saltaram aos olhos como uma espécie de experiência estratégica para o fascismo. O roteiro da queda da democracia alemã em 1933 parece já estar em andamento, incluindo a presença de facções militares corrompidas, a desestabilização de cidades, etc.

Ao contrário de Hitler, porém, Trump não possui um movimento fascista de massas a seu dispor. Ao mesmo tempo em que busca atiçar forças de extrema-direita, seu principal instrumento é o aparato do Estado, de forma semelhante à ditadura do General Abdel Fatteh al-Sisi no Egito ou às ditaduras militares latino-americanas. O próprio Cohen faz um paralelo direto com a experiência na Argentina, que foi governada por uma ditadura militar sangrenta entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980.

Talvez os anos que passei cobrindo a Argentina nos anos 1980, no final da junta militar, me deixaram particularmente sensível à utilização de veículos não identificados – no caso argentino, os Ford Falcons – para raptar opositores políticos de esquerda das ruas. Eles eram "desaparecidos", uma palavra cuja devastação psicológica de longo prazo eu media em incontáveis salas cheias de lágrimas.

A resposta do Partido Democrata é uma combinação de covardia e impotência. Os prefeitos do Partido Democrata têm alternado entre fracas contestações nos tribunais e apelos a que as forças paramilitares sejam utilizadas contra o "crime" e não contra os manifestantes. No único caso significativo de contestação da autoridade da polícia federal para prender manifestantes, um juiz de Portland decidiu na sexta-feira a favor da continuidade das prisões.

Logo após o discurso de Trump em 1º de junho, os democratas cederam toda a oposição a Trump aos generais, defendendo-os como os árbitros do poder político. O candidato presidencial dos democratas, Joe Biden, disse que seu "maior pesadelo" é Trump se recusar a deixar o cargo depois de novembro, mas sua resposta a tal cenário é a esperança de que os militares intervenham para forçar uma saída de Trump.

No início deste ano, os democratas encerraram sua fracassada tentativa de impeachment, que teve como base sua campanha direitista anti-Rússia. No momento em que Trump está violando abertamente a Constituição e preparando uma ditadura presidencial, não há propostas de um novo julgamento de impeachment, muito menos de manifestações de massas para forçar a saída de Trump.

A Casa Branca é hoje o centro de operações de uma conspiração política para estabelecer uma ditadura presidencial.

Esta situação veio sendo preparada durante um longo período. Já se passaram duas décadas desde as eleições presidenciais roubadas de 2000, quando a Suprema Corte dos EUA interveio para interromper a contagem dos votos na Flórida e entregou a eleição a George W. Bush, ao que os democratas não ofereceram qualquer resistência.

Menos de um ano depois, os ataques terroristas de 11 de setembro foram utilizados pela classe dominante para declarar uma "guerra ao terror" como pretexto a uma guerra sem fim e uma escalada massiva de medidas de Estado policial. O Departamento de Segurança Nacional, sob cuja autoridade o ICE e o CBP operam, foi estabelecido com apoio de ambos os partidos em novembro de 2002. Isso foi parte de uma série de medidas antidemocráticas – a Lei PATRIOT, o Comando Norte dos EUA, a construção do campo prisional da Baía de Guantanamo, a tortura da CIA, a espionagem da NSA.

Esses poderes foram ampliados sob a gestão Obama, que proclamou o direito do presidente de assassinar cidadãos americanos sem a realização de um processo, liderou a perseguição a Julian Assange do WikiLeaks, e criou uma base legal para a rede de campos de concentração para deter de imigrantes que vêm fugidos para os Estados Unidos.

Trump é a personificação da criminalidade da elite corporativa. Mas a quebra da democracia e o perigo da ditadura não são produtos de sua personalidade sociopata.

Como em relação a todo o resto, a pandemia acelerou e intensificou a tendência à ditadura subjacente. Enquanto os bilionários utilizaram a crise para aumentar massivamente suas riquezas, a grande massa da população enfrenta uma situação absolutamente desesperante. A determinação desta oligarquia em impor seus interesses, ao custo de incontáveis milhares de vidas, não é compatível com a democracia. As formas políticas estão se alinhando com a realidade social.

Apesar de toda sua crueldade, as ações de Trump são as de um homem desesperado e amedrontado. Trump sabe que ele e seu governo são odiados. Sua reiterada ameaça de permanecer no cargo independentemente dos resultados de uma eleição é uma admissão de que seu mandato carece de apoio popular e só pode se manter no poder através da violência.

Os trabalhadores devem estar de guarda erguida contra os ataques e provocações. Em todos os locais de trabalho e bairros operários, as ações das forças paramilitares devem ser monitoradas de perto.

Mas, acima de tudo, os trabalhadores e os jovens devem entender que a defesa dos direitos democráticos é, em essência, uma luta contra o sistema capitalista e seu Estado. Os métodos que devem ser empregados nessa luta são os métodos da luta de classes. As conspirações do governo Trump e da elite dominante devem ser combatidas através do avanço de uma estratégia para transferir o poder político para as mãos da classe trabalhadora e estabelecer o socialismo.

Os trabalhadores devem resistir a todos os esforços para canalizar sua revolta através de qualquer um dos partidos capitalistas. É preciso opor-se implacavelmente a todas tentativas de romper a unidade dos trabalhadores – seja através da promoção da guerra ou através da política de divisão racial-comunal. A afirmação promovida pelo Partido Democrata de que o conflito fundamental é entre a "América branca" e a "América negra" é falsa e reacionária. Não, o conflito é entre a classe trabalhadora e a oligarquia corporativo-financeira.

Os eventos falam por si mesmos e conclusões devem ser tiradas. Ao invés de esperar para ver o que Trump fará a seguir, a classe trabalhadora deve agir. O que avançará mais rápido, a luta da classe trabalhadora contra o capitalismo, ou a implementação da ditadura militar-policial, não será determinado em abstrato. Se determinará através da luta.

O Partido Socialista pela Igualdade faz um apelo urgente a todos os leitores do World Socialist Web Site: É hora de sair das margens! É hora de tomar uma posição! Entre para o Partido Socialista pela Igualdade e seus partidos irmãos do Comitê Internacional da Quarta Internacional.

Declaração do Partido Socialista pela Igualdade