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EUA: Rejeitar a venda da Ford pelo sindicatoUAW! Mobilizar os metalúrgicos em defesa dos empregos e das condições de vida!

12 de março de 2009

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Os metalúrgicos do ramo automobilístico dos EUA estão votando num plebiscito de acordo proposto pelo sindicato UAW [United Auto Workers - União dos Trabalhadores Automotivos] em parceria com a Ford. Tal acordo ataca os empregos, salários e benefícios de atuais 42.000 trabalhadores e 186.000 aposentados e dependentes. O processo de ratificação do acordo está programado para dia 9 de março. O Socialist Equality Party [Partido da Igualdade Socialista, SEP - sigla em inglês] chama por uma rejeição dessa traição do UAW e pela mobilização industrial e política dos trabalhadores do ramo automobilístico.

Os trabalhadores da Ford devem rejeitar o acordo negociado pelo sindicato UAW e lutar para mobilizar a força de todos os trabalhadores do ramo automobilístico contra o ataque aos empregos, padrões de vida e condições de trabalho.

O acordo assinado pelo UAW - vindo como desdobramento de concessões desde 2007 - destruirá as conquistas de décadas de lutras.

Segundo os membros do sindicato, o acordo atual impedirá o aumento o custo-de-vida, pois o bonus oferecido compensará o congelamento dos salários aceito no acordo anterior.

O acordo também acaba com os pagamentos de horas-extras, reduzir o tempo de intervalo e cortar os feriados remunerados. O Banco de empregos acabará e o auxílio desemprego será limitado a um ano - isso tudo ao mesmo tempo em que as empresas automotivas embarcaram em uma onda sem precedentes de fechamentos de plantas e demissões em massa.

Os trabalhadores automotivos não são responsáveis pela crise na indústria automobilística. Não tiveram poder algum sobre as decisões dos executivos corporativos e investidores de Wall Street que sacrificaram qualquer planejamento a longo prazo da indústria a fim de conseguir os lucors mais imediatos e sórdidos.

A classe trabalhadora não é responsável pela queda do sistema capitalista, que criou a pior crise econômica mundial desde a década de 1930.

Nas últimas três décadas - começando pelo resgate financeiro da Chrysler em 1980 - os trabalhadores automotivos têm aceitado uma concessão após outra, culminando no contrato de 2007 que corta os salários pela metade e acaba com as pensões pagas pelas empresas aos novos contratados. Agora, os membros do UAW trabalham no mesmo sentido - reduzir o salário dos trabalhadores das plantas americanas, como a Toyota e outras empresas internacionais.

Mais uma vez, a burocracia do UAW afirma que as concessões massivas são necessárias para “salvar os empregos”. O presidente do UAW, Ron Gettelfinger, diz que sem as concessões “a Ford não sobreviverá por muito tempo”. Mas nenhum contrato de “salvamento de emprego” assinado pelo UAW tem prevenido com o fechamento de plantas e as demissões em massa. Desde 1978 aproximadamente três quartos de um milhão de trabalhadores do ramo automobilístico perderam seus empregos. Na Ford, a força de trabalho caiu de 174.000 para 42.000.

A General Motors já anunciou planos para cortar mais 47.000 empregos, incluindo horistas e 21.000 assalariados nos EUA, além do plano para fechar 14 plantas na América do Norte e Europa. A Chrysler e a Ford estão preparando seus próprios planos para acompanhar a redução drástica na queda das vendas de automóveis.

O dinheiro roubado dos trabalhadores em concessões de contratos anteriores não foi usado para sustentar a saúde da indústria, mas para financiar a compra de ações e outras medidas para aumentar o calor e injetar bilhões nas contas bancárias dos executivos das empresas e grandes investidores.

O UAW é cúmplice no ataque aos trabalhadores. Em troca de sua colaboração, receberá centenas de milhões em ações comuns da Ford, fazendo-o o maior acionista individual da empresa e qualificando a burocracia sindical para um assento no conselho diretivo da empresa. Isto dará ao sindicato um grande incentivo financeiro para aumentar, ainda mais, a exploração dos seus próprios membros.

O fato de o UAW ser um sindicato não o faz uma organização dos trabalhadores. Há muito deixou a defesa dos interesses dos trabalhadores a quem recolhe dinheiro. Durante muitos anos tem lutado para se posicionar como uma empresa, de forma que a burocracia sindical se separou, tanto quanto possível, da classe trabalhadora que representa nominlmente, recebendo uma série de rendas e privilégios.

Juntamente com a gestão corporativista do sindicato, o UAW tem promovido o lema nacionalista e anti-estrangeiro "Buy American" [Compre um Produto Americano] impedindo qualquer luta unificada com os trabalhadores automotivos de outros países. Ao lado disso, aceitam novas concessões, dizendo querer aumentar a “competividade” de Detroit em relação às montadoras européias asiáticas. O resultado desta política é uma luta fratricida que coloca trabalhadores de diferentes países, estados e até mesmo fábricas uns contra os outros.

Os trabalhadores do setor automobilístico devem rejeitar a chantagem organizada conjuntamente pelos patrões, pela administração Obama e pelo UAW, e uma travar luta que impeça a destruição de seus postos de trabalho e padrões de vida. Essa luta deve ser organizada, independentemente do UAW, através da criação de comissões de trabalhadores nas fábricas e da classe trabalhadora em geral, da juventude e dos desempregados nas comunidades.

Uma posição firme tomada pelos trabalhadores automotivos da Ford gerará um apoio maciço da classe trabalhadora nos EUA e no mundo, que procuram uma forma de combate às demissões em massa, hipotecas de casas e continuação do resgate da aristocracia financeira.

Os trabalhadores da Ford podem defender uma greve nacional e apelar a todos os trabalhadores da GM e Chrysler para que engrossem a luta, juntamente com as dezenas de milhares de trabalhadores na indústria automotiva e de auto-peças não sindicalizados. Um apelo especial deve ser feito aos trabalhadores do Canadá, da América Latina, da Ásia e da Europa para se juntarem aos trabalhadores americanos em uma luta comum em defesa do emprego e das condições de vida.

Esta luta industrial deve ser guiada por uma estratégia política e de perspectiva inteiramente nova. A crise no setor automobilístico é parte integrante do fracasso do sistema capitalista nos EUA e em todo o mundo. A única alternativa que representa os interesses da classe trabalhadora é a luta pelo socialismo.

Isto significa, nos EUA, a mobilização contra a administração Obama e romper decisivamente com os democratas e republicanos, duas partes de grandes empresas que estão unidos em seus esforços para fazer com que a classe trabalhadora pague pela crise.

Os trabalhadores precisam ser organizados como uma força política independente para fazer avançar a sua própria solução para a crise. A indústria automobilística deve ser retirada das mãos dos executivos das empresas multinacionais e especuladores financeiros que têm dirigido a indústria automobilística ao buraco. A indústria deve ser transformada em um serviço público, com propriedade e controle tomados democraticamente pelos próprios trabalhadores.

Os trilhões de dólares desperdiçados com os banqueiros de Wall Street podem ser recuperados e utilizados para a indústria automobilística, para construir seguros e transportes acessíveis aos trabalhadores, sob controle de trabalhadores de todo o mundo.

Esta é a perspectiva socialista e internacionalista defendida pelo Socialist Equality Party [SEP]. Nós encorajamos os trabalhadores automotivos, procurando uma forma de combater o ataque sobre os empregos e as condições de vida a assumir a luta por um futuro socialista e juntarem-se ao SEP.

[traduzido por movimentonn.org]