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A crise mundial do capitalismo e a busca pelo socialismo

Parte um

Por Nick Beams
21 de março 2008

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Publicamos abaixo a primeira parte da palestra ministrada por Nick Beams em um curso internacional realizado pelo International Committe of the Fourth International (ICFI) e pela ISSE (International Students for Social Equality) em Sidnei, Austrália, entre 21 e 25 de janeiro de 2008. Beams é membro do comitê editorial internacional do World Socialist Web Site (WSWS) e secretário nacional SEP Austrália.

Em um curso lecionado 10 anos atrás, às vésperas do lançamento do World Socialist Web Site, nós nos detivemos por algum tempo examinando as implicações da então chamada crise financeira asiática, que havia estourado no último mês de julho.

Na ocasião, eu dizia que era relativamente difícil fazer um pronunciamento sobre aquela crise, pois nós estávamos enfrentando um alvo móvel. Hoje, eu tenho a sensação de um déjà vu em meio a algo que, indubitavelmente, é o aprofundamento da crise do capitalismo americano e mundial.

Quando a crise asiática emergiu, nós explicamos que não era exatamente uma crise asiática, mas uma crise do capitalismo mundial que se manifestava na Ásia. Hoje, nós não estamos nos defrontando com uma simples crise do capitalismo americano, mas com uma crise mundial que está surgindo nos Estados Unidos.

A cada novo dia, aparecem novas notícias das perdas sofridas pelas maiores corporações financeiras-a Merril Lynch acabou de sofrer um calote de 16.7 bilhões de dólares-além de avisos de que muito mais ainda está por vir. O Citgroup anunciou recentemente a maior perda na história dos seus 196 anos-US$ 9,83 bilhões no último trimestre-mesmo depois de reduzir o valor dos investimentos das hipotecas subprime em 18 bilhões de dólares.

As grandes instituições financeiras estão correndo para garantir largas injeções de capital de qualquer lugar onde possam encontrá-lo-a Merril Lynch e o Citigroup estão, sozinhos, tentando levantar 21 bilhões de dólares de fundos financeiros de Singapura e da Arábia Saudita.

A cada dia chegam novos anúncios. O Economist de 18 de janeiro, sob a manchete de “Falência Geral?”, trazia um relatório do desenvolvimento da crise no interior do mercado de títulos. Dizia o jornal:

“As grandes seguradoras de títulos americanas, responsáveis pela garantia de 2,4 trilhões de dólares nos setores público e privado de títulos, usualmente fazem seus negócios sem grandes alardes. Porém, agora que elas parecem desorientadas, começaram a chamar a atenção. Se uma ou mais dessas seguradoras ameaçarem quebrar, ocorrerá uma enorme onda de falências em bancos e outras instituições financeiras que dependem de suas garantias. Caso isto ocorra, a escassez de crédito se agravará, causando uma dor de cabeça ainda maior às autoridades que tentam, em vão, lutar contra a amarga desaceleração da economia americana.

“As mazelas causadas por um efeito dominó financeiro como este seriam catastróficas. Uma agência de avaliação de crédito, a Moody`s, sinalizou com a possibilidade de rebaixar, num futuro próximo, a pontuação AAA de duas das maiores seguradoras de títulos, a MBIA e a Ambac.”

Agora, a maioria dos economistas está prevendo uma recessão e o centro da discussão é quão cedo ela virá e por quanto tempo deverá durar.

Em 10 de janeiro, o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, fez um importante pronunciamento sobre a economia dos Estados Unidos, em que ele garantiu que o comitê de política monetária do Fed realizará cortes significativos na taxa de juros dos Estados Unidos em sua próxima reunião, no fim do mês. Mas ao invés de esta notícia levantar os mercados financeiros, o índice Down Jones Industrial Average caiu 250 pontos logo após o pronunciamento.

Não é de se estranhar. Bernanke falou da “volatilidade da situação, que torna a previsão do curso futuro da economia ainda mais difícil do que o usual”, notou a “considerável incerteza do investidor para avaliar de forma apropriada um leque mais amplo de recursos, e não apenas as hipotecas subprime”, alertou sobre “as informações recentes que sugerem, para 2008, um piorado patamar mínimo para a atividade real e a maior evidência de risco negativo para o crescimento”, e disse ainda que, apesar das melhoras em algumas áreas, “a situação financeira ainda permanece frágil.”

O quão frágil permanece a situação é o que nós podemos ver a partir dos comentários que apareceram na imprensa financeira durante os últimos dois meses.

O Economist escreveu, em 19 de dezembro, que a crise não é apenas falta de liquidez, mas que “agora parece estar se transformando numa crise bancária também.” A situação se tornou mais “aflitiva” em novembro último, quando se percebeu que as perdas no mercado imobiliário seriam grandes e que os bancos acabariam tendo que arcar com elas, mesmo que não estivessem com um capital preparado para isto. “Bancarrotas, recessão, processos judiciais, protecionismo: infelizmente, todos serão possíveis em 2008”, alertou o jornal.

Em uma coluna publicada no dia 12 de dezembro, um comentarista econômico do Financial Times, Martin Wolf, escreveu: “Em primeiro lugar, o que está acontecendo nos mercados de crédito hoje é um enorme abalo na credibilidade do modelo anglo-saxônico de capitalismo financeiro, orientado para transações. Uma mistura de “capitalismo de compadres” e uma incompetência grosseira é o que tem ocupado as telas do coração dos mercados financeiros de New York e Londres.”

David Ignatius escreveu, no Washington Post de 16 de dezembro: “A crise de crédito global que começou no último verão ainda não chegou ao seu auge, e os bancos centrais temem que o desgastado sistema financeiro jogará a economia mundial em uma profunda recessão.”

O colunista Wolfgang Munchau, do Financial Times, no dia 16 de dezembro defendeu que a crise não é, na sua essência, uma crise de liquidez pois se o fosse ela já teria passado.

“A crise”, ele escreveu, “é uma completa crise de solvência causada pelo estouro simultâneo de duas bolhas gigantes e interconectadas - uma de propriedade e outra de crédito_- levando bancos e investidores à beira da bancarrota, alguns se sustentando ainda pelas pontas dos dedos. E não há nada que os bancos centrais estejam oferecendo que possa aliviar a crise de solvência.”

Comentários de Bill Gross, o chefe do grupo de gerenciamento de valores Pimco, foram citados em diversas seções da imprensa financeira. “Nós estamos assistindo”, disse ele, “ao que é, essencialmente, a falência do nosso moderno sistema bancário atual, um complexo sistema de alavancagem que se tornou extremamente difícil de compreender.”

A Pimco não realiza pequenas operações, gerenciando aproximadamente um trilhão de dólares em fundos financeiros.

Os primeiros sinais da crise começaram a aparecer em 2006, quando o preço das habitações nos Estados Unidos começou a cair. A rápida escalada das operações financeiras baseadas em hipotecas era um claro sinal de que a queda dos preços era algo significativo para o sistema financeiro e para toda a economia dos Estados Unidos.

No entanto, a posição oficial do Fed era de que o problema poderia ser contido. Em 14 de fevereiro de 2007, o presidente Bernanke declarou que “alguns sinais parciais apontavam que uma estabilização começava a aparecer no mercado imobiliário.” Porém, em 28 de março ele disse: “O impacto dos problemas no mercado de subprime parecem estar contidos e não deverão atingir o mercado financeiro nem a economia americana.”

Em 17 de maio, ele indicou: “Nós acreditamos que os problemas no setor de subprimes terão um efeito limitado sobre o resto do mercado imobiliário, e nós não esperamos uma contaminação mais ampla no resto da economia ou no sistema financeiro.”

No dia 5 de junho, pouco antes da eclosão da crise de crédito, ele disse: “Fatores fundamentais - incluindo crescimento sólido do nível de renda e índices de hipotecas relativamente baixos - devem manter a demanda por habitação, e neste momento parece improvável que os problemas no setor subprime contaminem seriamente a economia ou o sistema financeiro.”

Em pouco tempo ficou claro o quanto estas declarações subestimavam a situação real. No meio de junho, a crise do setor subprime ganhou a cena quando o banco de investimentos Bear Stearns anunciou que dois de seus fundos derivativos (hedge funds) estavam experimentando problemas em virtude de seus investimentos em dívidas de hipotecas subprime.

Nos dois meses que se seguiram, a crise começou a se desenvolver rapidamente, na mesma medida em que cresciam as impressões acerca de um maior envolvimento dos principais bancos e instituições financeiras em operações de risco. No dia 17 de agosto, o Federal Reserve dos Estados Unidos fez sua primeira grande intervenção, anunciando um corte na discount rate [taxa de redesconto] cobrada dos bancos com dificuldades financeiras. Essa intervenção ocorreu logo após um dia de altas e baixas em Wall Street, dia em que duas grandes intervenções foram realizadas pelas autoridades financeiras para tentar conter a queda vertiginosa das ações. Era claro que, sem uma intervenção do Fed, o mercado poderia ter despencado mais de 1.000 pontos no dia seguinte.

Em 18 de setembro, o Fed interviu novamente, cortando a taxa básica de juros em 50 pontos base [0,5%]. Isso trouxe algum alívio aos mercados, mas em novembro já estava claro que a crise estava longe de seu fim.

O problema básico era que as operações fundamentais de crédito de todo o sistema capitalista estavam sendo afetadas pelo colapso da credibilidade. Os maiores bancos e instituições financeiras estavam rejeitando crédito, seja porque elas precisavam manter um caixa em mãos para o caso de suas próprias operações off-balance-sheet [realizadas em conjunto com outras instituições] começassem a quebrar, seja porque eles não soubessem o quão estão expostos a crédito incerto vinculado aos bancos e instituições aos quais eles forneceriam o crédito.

Esses temores se refletiram em mudanças na taxa LIBOR (Taxa Londrina Oferecida Entre Bancos, da sigla em inglês), a taxa base que os bancos usam ao realizar empréstimos inseguros para outros bancos. Em tempos normais, a LIBOR é apenas ligeiramente mais alta que a taxa básica de juros do tesouro americano, considerada como a forma mais segura de investimento. No entanto, com o estouro da crise do subprime e com a maior queda das ações dos principais bancos, a taxa LIBOR subiu vertiginosamente.

O aumento da taxa LIBOR reflete a falta de confiança que os principais bancos - os principais nomes e instituições do mundo financeiro -têm uns nos outros. Essa falta de confiança é ainda maior quando se trata de outras instituições financeiras. Eles descobriram que o crédito barato que outrora já esteve disponível, e sobre o qual eles basearam suas operações, já não está mais à disposição.

Isso foi o que levou à falência o banco Northern Rock Bank na Inglaterra. Ele não foi à bancarrota porque tinha investido em hipotecas subprimes americanas - seu envolvimento neste setor era insignificante. Ao contrário, o banco caiu vítima da escassez de crédito que foi causada pela crise do subprime.

O Northern Rock construiu seu capital contraindo crédito no mercado de curto prazo e utilizando este caixa para financiar empréstimos de longo prazo, com taxas ligeiramente melhores que as oferecidas por outras instituições financeiras. Operando com margens muito estreitas, ele teve que contrair enormes quantidades de dinheiro. Esse método funcionou bem enquanto o crédito de curto prazo estava continuamente disponível. Mas quando ele sumiu, o banco colapsou.

O mesmo processo derrubou o grupo de propriedade australiano Centro. No correr da última década, o grupo produziu para seus investidores retornos anuais de mais de 20% ao ano, com uma estratégia que envolvia a compra de shopping-centers nos mercados em ascensão para então vendê-los em parte a fundos gerenciados. No último mês de maio o Centro fez seu maior negócio, uma transação de $6,3 bilhões de dólares nos Estados Unidos. O grupo optou por lastrear uma parcela do negócio com crédito de curto prazo.

Em 17 de dezembro, ele anunciou que não poderia refinanciar o valor de US$ 2,5 bilhões, em débitos de curto prazo. Segundo o presidente do Centro, “Nós jamais esperávamos, nem podíamos prever, que fontes de recurso históricas que estavam disponíveis para nós e para muitas outras companhias estariam fora de operação.”

Assim como em outros casos no passado, a crise financeira atingiu a economia mundial justamente no ponto em que ela estava experimentando um crescimento mais significativo.

No último maio, o relatório “Panorama da Economia Mundial” (WEO, da sigla em inglês), elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), ressaltou que a taxa de crescimento médio anual para os anos 2003-2006 foi de 4,9% e previa que ela fosse mantida por ao menos os próximos dois anos. O único crescimento forte e contínuo ocorreu nos anos 1970-1973, quando o crescimento mundial foi de 5,4%. Segundo o relatório do FMI, se a atual taxa de crescimento se sustentar, ela representará o crescimento mais poderoso em um período de 6 anos desde a década de 1970.

O quadro pintado pelo relatório “Projeções Econômicas Globais”, publicado pelo Banco Mundial em dezembro de 2006 não era muito diferente. Ele apontava para uma “forte performance global”, refletindo a “rápida expansão dos países em desenvolvimento, que cresceram mais de duas vezes mais rápido que as economias avançadas.” Isso não era apenas resultado do impacto da economia chinesa, que cresceu 10.4%, mas também da dos países “em desenvolvimento”. Em conjunto, 38% do crescimento global teve origem nestes países, bem acima da sua parcela de 22% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

O relatório do Banco Mundial declarou que se os últimos 25 anos fossem divididos em dois períodos -1980-2000 e 2000-2005-, o crescimento médio dos países em desenvolvimento teria aumentado de 3,2% no primeiro período para 5% no segundo. Apesar desta aceleração não ocorrer de forma compartilhada entre todos os países, ela também não é meramente resultado do maior crescimento da China e da Índia.

O relatório WEO do FMI estava repleto de histórias similares sobre sucessos econômicos. A atividade econômica na Europa Ocidental teve seu “momento de glória” em 2006, com um crescimento do PIB na zona do euro atingindo 2,6%, quase o dobro da taxa de 2005 e o maior crescimento desde 2000. O relatório declarou: “A Alemanha foi a principal locomotiva, abastecida por um robusto crescimento das exportações e um pesado investimento originado dos significativos melhoramentos na competitividade e na “saúde” das corporações (corporation health) realizados nos últimos anos.” De modo geral, a taxa de desemprego caiu 7,6% na zona do euro, o seu menor nível em 15 anos.

Havia boas notícias até sobre o Japão, região em que, após o colapso do mercado de ações e o estouro da bolha no começo da década de 1990, a economia estava virtualmente estagnada por mais de uma década. Apesar do inesperado declínio nos índices de consumo no meio de 2006, “os fundamentos da economia seguem robustos, com expansão do investimento privado - sustentado por lucros significativos, por melhoramentos nas folhas de balanço e pela retomada do crédito bancário - e com aumento crescimento das exportações.” A expectativa era de que o crescimento real da economia japonesa permanecesse acima de 2%.

Enquanto a expectativa era de que a taxa de crescimento da América Latina caísse dos 5,5% de 2006 para 4,9% em 2007, o período dos anos 2004-2006 foi “o triênio que registrou o mais forte crescimento na América Latina desde 1970.”

Nos assim chamados “emergentes asiáticos”, a atividade econômica “continua se expandindo em ritmo enérgico”, sustentada por “um crescimento muito forte na China e na Índia.” Na China, o PIB real cresceu 10,7% em 2006, enquanto na Índia o crescimento foi de 9,2%, resultado do incremento no consumo, nos investimentos e nas exportações.

O crescimento no Leste Europeu acelerou-se para 6% em 2006, enquanto na Rússia esperava-se que o crescimento de 7,7% atingido em 2006 fosse levemente reduzido para 7% em 2007 e para 6,4% em 2008.

O relatório WEO descrevia ainda o cenário econômico para a África como “muito positivo” num cenário mundial de forte crescimento, aumento do fluxo de capitais, crescimento da produção petrolífera em vários países e aumento da demanda por commodities não combustíveis (non-fuel). “Nós esperamos”, escreveu o FMI, “um aceleramento no crescimento do PIB real de 5,5% em 2006 para 6,2% neste ano (2007), antes de uma desaceleração para 5,8% em 2008.”

No último mês de junho, o Bank of International Settlements [o banco central dos bancos centrais] publicou um relatório ressaltando que em 2006 o crescimento mundial teve uma expansão no ritmo de 5,5%, atingindo o quarto ano consecutivo com crescimento acima de 4%. A força da economia estava ampliando suas bases, com praticamente todos os países industriais avançados crescendo acima do esperado em 2006, enquanto os principais mercados emergentes também avançaram.

O relatório sustentava: “O crescimento dos últimos quatro anos difere em diversos aspectos daquele de 1994-7, quando a economia mundial também registrou quatro anos consecutivos de crescimento conforme ou acima do esperado. Primeiro, a economia dos mercados emergentes, especialmente na Ásia, contribuíram com 1,25% a mais no crescimento global do que contribuíram uma década atrás. Em grande medida, isso reflete a bonança atual da economia chinesa.”

Um artigo publicado na revista do FMI de outubro de 2007, a IMF Survey, deixa claro o quão significante tem sido o crescimento das economias da China e da Índia. Hoje, a China é o país que, sozinho, tem a mais importante contribuição para a economia mundial, como mostram os gráficos abaixo:

(A taxa de câmbio de mercado [market exchange rates] é aquela que prevalece no mercado mundial internacional, enquanto a taxa de câmbio PPP [PPP exchange rate] é definida como aquela em que a moeda de um país precisa ser convertida na de outro país, para poder comprar uma mesma quantidade de bens e serviços em cada país. O uso da taxa de câmbio PPP dá maior peso às economias de mercado emergentes quando se analisa o crescimento do mercado mundial.)

A extensão do crescimento econômico da China é sintetizada na seguinte incrível estatística: em 2007 a China tinha 7 mil fábricas de aço, o dobro do que ela tinha em 2002.

As instituições financeiras também estavam otimistas. Em abril de 2006, o Deutsche Bank Research ressaltou que a economia mundial estava vivendo o seu mais longo período de crescimento desde a década de 1970, mas desta vez sem crescimento da inflação. Ocorreram algumas dificuldades com a Nova Economia 1.0 em 1999/2000 (o colapso do mercado de ações e da bolha dot.com, e o desenvolvimento da recessão dos EUA), mas a “Nova Economia 2.0 parece estar indo muito bem agora.”

Atualmente, as previsões ainda são de que a economia mundial como um todo continuará crescendo. No último relatório publicado no mês passado, o Banco Mundial previa um crescimento da economia mundial de 3,3% para 2008, alegando que “a robusta expansão nos países em desenvolvimento compensará, em parte, os fracos resultados nos países desenvolvidos.” Entretanto, não é completamente certo, pelo que o relatório acrescenta: “sérios riscos negativos lançam uma sombra sobre este pouso suave.”

A questão central, no entanto, não é saber quando a economia dos EUA ou a economia mundialc,omo um todo, entrarão em recessão, mas sim, quais são os processos que a levaram a esta crise e quais são suas implicações.Para isso será necessário rejeitar a análise extremamente parcial que caracteriza as últimas previsões do Banco Mundial e que irá, certamente, ecoar em muitos lugares.

Artigo continua (mais quatro partes serão publicadas)